Documentos para avaliar uma empresa: o checklist do valuation
Para uma primeira avaliação bastam DRE e balanço dos últimos três anos e do ano corrente, balancetes mensais, a receita por cliente e por produto, a lista de dívidas e parcelamentos e a folha com as retiradas dos sócios. Contratos, contrato social, imóveis, processos e licenças completam o pacote e são pedidos depois, na due diligence. Não é preciso ter balanço auditado, e nenhum número sai da empresa antes de um acordo de confidencialidade (NDA).
O que reunir, em uma frase
Os números dos últimos três anos, a composição da receita, o que a empresa deve e o que os sócios retiram. Com isso se faz uma primeira avaliação. O resto serve para comprovar e é pedido mais tarde, quando há um comprador sério.
Antes de mandar qualquer arquivo, peça um acordo de confidencialidade (NDA). Na Meu Equity ele é assinado antes de qualquer número. E não é preciso ter balanço auditado: trabalhamos com o que a empresa tem e apontamos o que um comprador vai questionar.
Checklist de documentos para o valuation
A tabela separa o que é essencial para a primeira estimativa do que entra depois, na due diligence (a verificação que o comprador faz antes de assinar).
| Documento | Para que serve | Quando |
|---|---|---|
| DRE e balanço dos últimos 3 anos e do ano corrente | Base do lucro, da margem e do endividamento | Primeira estimativa |
| Balancetes mensais | Mostram sazonalidade e o resultado dos últimos 12 meses | Primeira estimativa |
| Receita por cliente e por produto ou serviço | Concentração de clientes e o que de fato gera margem | Primeira estimativa |
| Dívidas, financiamentos e parcelamentos de impostos | Calculam a dívida líquida, que sai do valor para os sócios | Primeira estimativa |
| Folha de pagamento e retiradas dos sócios (pró-labore, distribuições) | Ajustam o lucro ao custo real de quem trabalha na empresa | Primeira estimativa |
| Contratos relevantes com clientes e fornecedores | Comprovam recorrência e prazos; mostram cláusulas de mudança de controle | Due diligence |
| Contratos de aluguel | Prazo, valor e se o imóvel é de um sócio | Due diligence |
| Contrato social, alterações e acordo de sócios | Quem pode vender, direito de preferência, restrições | Due diligence |
| Lista de ativos e imóveis | O que entra na venda e o que fica com os sócios | Due diligence |
| Processos judiciais e contingências (trabalhistas, fiscais, cíveis) | Riscos que viram desconto, retenção ou garantia | Due diligence |
| Licenças, alvarás, registros e certidões | Condição para operar; sem elas a venda trava | Due diligence |
Na prática, o contador já tem a maior parte da primeira coluna. Peça a ele as demonstrações e os balancetes em planilha, não só em PDF, porque a análise refaz contas mês a mês.
O essencial para a primeira estimativa
Demonstrações financeiras. DRE e balanço dos três últimos exercícios fechados e do ano até o mês mais recente. Três anos mostram tendência; o ano corrente mostra o momento. Se a empresa tem mais de um CNPJ que funciona como um só negócio, traga todos.
Receita aberta. Quanto cada cliente representa e quanto cada linha de produto ou serviço vende e ganha. Um comprador olha primeiro se algum cliente pesa demais, porque isso é risco e reduz o múltiplo.
Dívidas. Empréstimos, financiamentos, leasing, parcelamentos de impostos e qualquer valor em atraso. Isso define a ponte entre o valor da empresa e o valor que chega aos sócios.
Pessoas e sócios. A folha com cargos e salários e o que cada sócio retira, por pró-labore ou distribuição. Se um sócio trabalha e não recebe salário de mercado, o lucro está maior do que seria com um gestor contratado, e isso precisa ser ajustado.
Com esses itens já é possível calcular o EBITDA ajustado e chegar a uma faixa de valor. Se quiser um primeiro número antes de reunir os papéis, use a calculadora de valuation e leia como se calcula quanto vale uma empresa.
O que fica para a due diligence
Contratos, documentos societários, imóveis, processos e licenças não mudam muito o número da primeira avaliação, mas mudam a negociação. É neles que o comprador encontra motivo para pedir desconto, reter parte do preço ou exigir garantias. Separar esses papéis com antecedência encurta a due diligence e evita surpresas no meio da venda. Veja as etapas em como vender minha empresa.
Quando as contas da empresa e as pessoais se misturam
É comum, e não impede a avaliação. Carro da família, viagens, plano de saúde de parentes, um funcionário que trabalha na casa do sócio: faça uma lista com o item, o valor anual e o período. Cada linha vira um ajuste e é somada de volta ao lucro, porque o comprador não terá esse gasto.
O mesmo vale para o sentido contrário: aluguel abaixo do mercado em imóvel de um sócio, sócio sem salário, receitas e despesas que não se repetem. Tudo isso entra na ponte do lucro contábil ao EBITDA ajustado. No estudo de exemplo, o capítulo do EBITDA ajustado mostra essa ponte item por item, com uma empresa fictícia.
O que não funciona é deixar esses gastos escondidos. O comprador encontra na due diligence, e a partir daí passa a duvidar dos outros números.
Sigilo antes de enviar
Documentos financeiros dizem muito sobre a empresa: margens, clientes, salários. Envie só depois de assinar um NDA, e prefira uma pasta com acesso controlado a anexos de e-mail. Se a conversa é com um possível comprador, especialmente um concorrente, abra primeiro os números agregados e deixe o detalhe por cliente para quando houver uma proposta por escrito.
Quanto tempo leva depois de entregar
Em geral, de duas a quatro semanas depois de recebidos os documentos, conforme o porte e a organização dos números. Documentos incompletos não impedem o início; atrasam a conclusão.
A Meu Equity recebe esses documentos com NDA assinado e faz a avaliação da empresa com cada premissa explicada.
Perguntas frequentes
Respostas diretas para quem está pensando em avaliar ou vender a empresa.
Ainda tem dúvida? Fale com um especialistaO que é preciso para fazer o valuation de uma empresa?
Demonstrações financeiras (DRE e balanço) dos últimos três anos e do ano corrente, balancetes mensais, receita por cliente e por produto, dívidas e parcelamentos, folha de pagamento e retiradas dos sócios. Com isso já se calcula o EBITDA ajustado e uma faixa de valor. O restante é pedido conforme a análise avança.
Preciso ter balanço auditado para avaliar minha empresa?
Não. A avaliação usa os números que a empresa tem, preparados pelo contador. O relatório aponta o que um comprador vai questionar e o que convém organizar antes de uma venda.
Minha empresa paga despesas pessoais. Isso atrapalha o valuation?
Não, desde que você liste essas despesas. Cada uma vira um ajuste no lucro, somado de volta ao EBITDA. O problema é escondê-las: o comprador encontra na due diligence e passa a desconfiar do restante dos números.
Qual a diferença entre os documentos do valuation e os da due diligence?
O valuation precisa dos números que mostram quanto a empresa gera de caixa. A due diligence é a verificação feita pelo comprador antes de assinar e pede tudo o que comprova esses números e os riscos: contratos, certidões, processos, licenças e documentos societários.

